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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Investigadoras portuguesas descobrem estrutura 3D da proteína AOX

É um passo crucial para o desenvolvimento de novos fármacos

CienciaHoje_2015-09-07

Investigadoras portuguesas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (FCT-NOVA) cristalizaram e determinaram a estrutura 3D da proteína Aldeído Oxidase (AOX) humana após um processo longo e trabalhoso. ...

"A AOX é uma enzima cuja participação no metabolismo de fármacos tem um grande impacto no processo de desenvolvimento de novos medicamentos o que justifica o enorme interesse da indústria farmacêutica na AOX. Esta enzima está presente no fígado e metaboliza de modo não específico uma grande variedade de fármacos e compostos xenobióticos. Como consequência direta, e no âmbito do desenvolvimento de fármacos, torna-se difícil prever se novas moléculas poderão vir a ser metabolizadas pela AOX, conduzindo ao insucesso de estudos pré-clínicos."
...
A proteína completa possui mais de 1330 aminoácidos (mais do que 10 mil átomos). Devido o seu grande tamanho, usámos a Cristalografia de Raios‐X para determinar a estrutura 3D da enzima e poder “ver” o complicado arranjo dos aminoácidos entre si. "Apenas quando conseguimos localizar as posições da maioria dos mais de 10 mil átomos é que pudemos correlacionar a estrutura com a função e tirar conclusões acerca dos mecanismos enzimáticos e de inibição”, explica Catarina Coelho, investigadora pós‐doc na FCT‐NOVA e primeira autora do artigo."

ler notícia completa aqui


Esquema da estrutura química de uma enzima (tripsina)

terça-feira, 11 de agosto de 2015

"Uma vacina que salvou o mundo" da Poliomielite


 
 
  

http://www.dailymotion.com/video/x16d4q4_uma-vacina-que-salvou-o-mundo-docspt_tech" target="_blank">Uma Vacina que Salvou o Mundo - docsPT
por http://www.dailymotion.com/Web-Man" target="_blank">Web-Man


A luta de Jonas Salk

"Primeiro cientista a descobrir a vacina contra a poliomielite, foi aclamado como herói e reconhecido no mundo inteiro por ter contribuído para a cura desta doença.

Até os anos 50, a poliomielite representava uma praga terrível. Desde o início do século, pode ter aleijado ou custado a vida de mais de um milhão de jovens. O vírus provoca um quadro semelhante a uma gripe, mas quando penetra no sistema nervoso leva à paralisia e, às vezes, à morte. É transmissível por contato direto com pessoas infectadas e ataca, principalmente, crianças. As epidemias eram anuais e provocavam medo e pânico.

As imagens que a imprensa veiculava de crianças pequenas com músculos atrofiados, em cadeiras de rodas, apoiadas em muletas ou necessitando de respiradores artificiais, eram particularmente impressionantes. Era inevitável que quem conseguisse exorcizar esses medos, se tornaria um herói internacional e seria reconhecido como "o salvador das crianças".

A probabilidade de um microbiólogo adquirir fama é mínima e logo contestada pelos concorrentes. No campo cientifico, até pequenas descobertas costumam deixar um rastro de reivindicações e reclamações, e podem suscitar inveja e maldade. Na verdade, o mérito de ter debelado e praticamente erradicado a poliomielite do mundo ocidental pertence não a um, mas a dois cientistas. Em meio a grande publicidade, declarações e controvérsias, as pesquisas no decorrer da década de 1950 eram lideradas por Jonas Salk e Albert Sabin. Usando métodos antagônicos e em acirrado conflito pessoal, os dois cientistas desenvolveram duas vacinas extremamente eficazes contra a pólio, com um intervalo de seis anos.

Mas como Salk chegou primeiro, recebeu as honras e os reconhecimentos do público leigo, já que o mundo científico não gostava muito dele e nunca o agraciou com o Prêmio Nobel, nem o aceitou como membro da Academia Nacional de Ciências.

Sua vida

Salk nasceu em Nova York, em 1914; era filho primogênito de um casal de imigrantes judeus ortodoxos de origem polonesa que viviam no Bronx e trabalhavam na área de confecções femininas. Em casa era o mais religioso dos irmãos, que o chamavam de "pequeno rabino".

Colocava os tefilin diariamente e freqüentava regularmente a sinagoga até terminar o colegial. Sua mãe teria gostado que se tornasse professor ou rabino. Mas ele afirmava que se interessava "pelas leis da natureza" e desde pequeno "o impressionavam as tragédias da vida, para continuar indiferente ao que acontecia ao próximo". Isso o estimulou a realizar algo positivo em prol da humanidade.

Foi aluno brilhante no curso universitário básico e na Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York. Desde cedo teve vocação para a pesquisa, embora admita: "Minha mãe ficaria muito feliz se eu tivesse um consultório na Park Avenue".

Recém-formado, conseguiu uma posição invejável como pesquisador na Universidade de Michigan para estudar virologia ao lado do eminente professor Thomas Francis. Juntos trabalharam para o desenvolvimento de uma das primeiras vacinas contra a gripe, usando o vírus influenza inativado.
Em 1939 casou com Donna Lindsey. Tiveram três filhos, mas divorciaram-se em 1969. Seus três filhos se tornaram médicos. Pouco depois, casou novamente com Françoise Gilot, escritora e pintora francesa que fora companheira de Picasso no final da década de 40, início da de 50.

Vacina contra-pólio


Depois da Segunda Guerra Mundial, Salk mudou-se para a Universidade de Pittsburg, onde se dedicou à pesquisa sobre a poliomielite. Por sorte, chegou a publicar alguns trabalhos teóricos básicos sobre o vírus, que chamaram a atenção de Basil O' Connor, presidente da Fundação para a Paralisia Infantil: acreditando em Salk, investiu fundos e lhe deu total autonomia para desenvolver seu trabalho.

Mas quem forneceu a peça chave que permitiu a Salk produzir sua vacina foi John Enders, de Harvard, que recebeu em 1954 o Prêmio Nobel por ter conseguido cultivar "in vitro" o vírus da poliomielite - um trabalho revolucionário - fornecendo aos cientistas empenhados na produção da vacina quantos vírus fossem necessários, de forma rápida e segura.

O objetivo estava, então, configurado. Chegar primeiro era apenas questão de sorte e de rapidez - no que Salk era forte. Ele trabalhava com uma vacina obtida com vírus mortos.

Já Sabin vinha de uma escola antagônica de pesquisa de vacinas. Como Louis Pasteur, acreditava que o caminho para produzir imunidade permanente passava pela criação de uma infecção leve usando um vírus vivo, mas de virulência extremamente atenuada. Trabalhava na produção de uma vacina de acordo com esta teoria.

Salk, valendo-se de sua experiência com a vacina contra a gripe, sabia muito bem que o sistema imunológico podia ser estimulado sem infecção propriamente, apenas com um vírus inativado ou morto.

A vacina de Salk, que usava um soro injetável contendo vírus mortos, era de preparo mais fácil e rápido: foi testada pela primeira vez em 1952, e, em 1954, Salk e Francis iniciaram uma vacinação em massa no maior experimento médico realizado nos Estados Unidos. Vacinaram mais de um milhão de crianças, entre 6 e 9 anos, parte com a vacina e parte com o placebo.

A vacina funcionou. Mas no mundo científico, a divulgação desses dados deveria seguir um protocolo: primeiro a publicação em revista médica espe-cializada e depois o mais amplo possível reconhecimento dos créditos. Salk não seguiu este protocolo, deu uma entrevista coletiva e falou pelo rádio. Acabou recebendo todos os créditos.Esse erro o perseguiria. Para os cientistas, Salk fora vaidoso. Até hoje, não o perdoaram por não ter reconhecido o valor e citado Enders e os colegas de Pittsburg. Tudo o que fez posteriormente foi visto com certa desconfiança.

A vacina de Albert Sabin, com vírus vivo atenuado e para administração por via oral, ficou pronta em 1961. O vírus vivo daria uma imunidade superior e mais prolongada, entretanto as duas vacinas são eficazes e usadas até hoje nos Estados Unidos.

Em 1963, Salk fundou e dirigiu o "Instituto Salk para Estudos Biológicos", em La Jolla, Califórnia. Desde 1986, dedicou-se ao desenvolvimento de uma vacina contra a Aids. "Não podia parar; a pessoa fracassa se para cedo", dizia o cientista. Em 1994, menos de um ano antes de sua morte, dizia que havia feito "progressos enormes".

Salk encarava os obstáculos filosoficamente como desafios: "Eu era consciente de que algumas portas que me foram fechadas resultaram em outras portas que se abriram". Ainda jovem se candidatou a trabalhar na pesquisa das doenças reumáticas e não foi aceito. Uma porta lhe foi fechada, por isso se voltou à pesquisas do vírus da gripe.

Salk acreditava que a sua origem judaica teve um papel fundamental em sua vida e sua carreira: "...forneceu-me as qualidades necessárias para sobreviver e evoluir. Assim tenho visto as adversidades: como uma vantagem. Os judeus aprenderam a desenvolver uma sabedoria inata sobre como conseguir lutar e crescer. Pude ver isso da forma que minha mãe criou seus filhos. O que ela queria acima de tudo era que fôssemos melhores que ela."

Salk morreu em 1995 de um infarto do miocárdio. Estava estudando e trabalhando com o vírus da Aids.

Com a descoberta da vacina que erradicou a poliomielite, Jonas Salk se tornou um grande herói da medicina. Seu nome será sempre associado às vidas salvas de uma das mais temíveis doenças do século XX.

Quanto a Albert Sabin, sua contribuição à virologia se estende muito além do seu trabalho com a poliomielite. Antes de criar sua vacina oral, este cientista, também de origem judaica polonesa, desenvolveu as vacinas contra a dengue e contra a encefalite japonesa.

Ao morrer, em 1993, com 86 anos, estudava o papel dos vírus nos tumores."
 
 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Planta substituta de sal desenvolvida em cultura in vitro por aluna da UTAD

"Cresce em estuários e salinas e é também conhecida por “sal verde”. A salicórnia é uma planta“comestível e saborosa, que conserva o sal e que pode ser mantida no frio por muito tempo. Em alguns países europeus é considerada produto gourmet”, afirma Marisa Ribeirinho, aluna da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que estabeleceu in vitro as condições para a produção da espécie."

 continua aqui

CiênciaHoje 15/10/2014


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Mecanismo imunitário envolvido no cancro dos ovários

"Uma equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa descobriu, numa experiência com ratinhos, que determinados glóbulos brancos, que protegem o organismo de infeções, também ajudam no desenvolvimento de cancro do ovário."

Bruno Silva-Santos, que lidera a equipa, explicou à agência Lusa que "a interação entre dois tipos de células do grupo dos glóbulos brancos" - os linfócitos T gama-delta e os macrófagos peritoneais - "promove o crescimento do cancro do ovário".
O investigador esclareceu que os linfócitos T gama-delta produzem uma molécula, a interleucina-17, que "vai recrutar" os macrófagos e "levá-los para o sítio do tumor", causando a formação de vasos sanguíneos que "vão fornecer alimentos ao tumor, que cresce mais depressa".
O coordenador do grupo de trabalho, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, adiantou que o que o tumor faz é "raptar o mecanismo protetor" dos linfócitos T gama-delta e dos macrófagos peritoneais contra infeções e "usá-lo a seu favor".
Os linfócitos T gama-delta e os macrófagos peritoneais são considerados "muito importantes" para a proteção natural do corpo contra microrganismos, em particular fungos e bactérias.
O que acontece, segundo Bruno Silva-Santos, é que a resposta do organismo "é aproveitada pelo tumor para favorecer o seu crescimento".
Por isso, assinalou, basta extrair do organismo os linfócitos T gama-delta ou a molécula interleucina-17 para travar a progressão do tumor...


Artigo relacionado(?):


Fonte:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3888704/
Figura 2- Pro-versus anti-tumoral effects of Th17 lymphocytes and the cytokines they produce on cancer development. Th17 lymphocytes produce cytokines which may promote or impair tumor development. Depending on the microenvironment Th17 may differentiate into Th1 or hybrid lymphocytes capable of controlling tumor growth or into protumoral Treg. IDO: indoleamine 2,3-dioxygenase.


quinta-feira, 6 de março de 2014

Injeções de antirretrovirais protegem macacos do HIV por várias semanas

5 de março de 2014 
Injeções de antirretrovirais protegem macacos do HIV por várias semanas
http://saude.sapo.pt/noticias/saude-medicina/
 

Ensaio clínico com 175 pessoas está previsto para começar no final deste ano 

As injeções de antirretrovirais contra o vírus que causa a Sida protegeram macacos durante várias semanas após a infeção, uma conquista que abre caminho para prevenir a doença em seres humanos, de acordo com dois estudos americanos divulgados na terça-feira.
 
 
 
 
Os estudos, realizados por duas equipas diferentes de virologistas, revelaram uma proteção completa nos animais que receberam uma injeção mensal de antirretrovirais.
Testes clínicos realizados nos últimos anos têm demonstrado que ingerir pequenas doses diárias de medicamentos antirretrovirais podem reduzir em mais de 90% o risco de infeção por um parceiro sexual HIV-positivo, uma abordagem chamada profilaxia pré-exposição, de acordo com cientistas, que apresentaram os trabalhos na conferência anual sobre Retrovírus e Infeções Oportunistas (CROI), em Boston, nos Estados Unidos.
 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Nobel da Medicina de 2013

Nobel da Medicina de 2013 para sistema de transporte essencial nas células


Prémio distingue dois investigadores norte-americanos e um alemão.

O Prémio Nobel da Medicina de 2013 foi para James E. Rothman (Universidade de Yale), Randy W. Schekman (Universidade da Califórnia em Berkeley) e Thomas C. Südhof (Universidade de Standford), “pelas suas descobertas da maquinaria de regulação do tráfego vesicular, um importante sistema de transporte nas nossas células.”

ASA (clik para ampliar) 

Continua aqui


O sistema de transporte vesicular é crucial para uma variedade de processos celulares. Certas doenças imunitárias, neurológicas, e ainda a diabetes, caracterizam-se por defeitos nestes processos habitualmente muito bem orquestrados de tráfego intracelular. "Certas bactérias produzem toxinas que destroem o sistema de transporte vesicular, causando doenças potencialmente letais", explicou um representante do comité Nobel. É o caso, por exemplo, do tétano - ou ainda, do botulismo. E também da diabetes, onde o transporte de insulina para o exterior das células, que depende da libertação de cálcio, se encontra perturbado.
O comité Nobel salientou ainda que, embora estas descobertas não tenham ainda dado origem a novos tratamentos contra este tipo de doenças, o importante aqui é os laureados terem permitido perceber como funciona este sistema de base, crucial para o normal funcionamento de todas as células. Sem ele, a vida celular tornar-se-ia literalmente caótica.

Noticia completa

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Noite Europeia dos Investigadores 2013

"O próximo dia 27 de Setembro, sexta-feira,  marca a realização da edição de 2013 da Noite Europeia dos Investigadores, este ano subordinada ao tema Futuro 2020. Tendo esta temática como inspiração, as várias atividades oferecidas um pouco por todo o país propõem-se a antever os desafios que teremos de enfrentar em 2020, antecipando assim a discussão das novas diretrizes da União Europeia para a Investigação e Inovação – Horizonte 2020 –, que entrarão em vigor já em 2014. 
Este ano, o Porto comemora a Noite Europeia dos Investigadores 2013 no Jardim Botânico, mais concretamente na Casa Andresen. A partir das 18h e até à meia-noite, o Jardim Botânico será palco de sessões de cinema, de observações astronómicas, de performances musicais e de espaços de debates e tertúlias. 

No programa destacam-se algumas actividades particularmente interessantes para professores que pretendam despertar nos alunos uma maior curiosidade pela Ciência.

Actividades mãos-na-massa 18h – 23h
Actividades demonstrativas de conceitos científicos ou experiências didácticas especialmente dirigidas para os mais novos.

Hotel de Insectos 18h – 23h
Uma paragem obrigatória é o Hotel de Insectos, uma instalação onde se simulam diferentes habitats de insectos. A estrutura desta instalação permite acolher vários tipos de insectos para observação e haverá espaço para colocar questões ao entomologista e ao nutricionista de serviço.

Invasão da Casa Andresen 18h – 24h (últimas entradas à 23h15)
Estapeia  é uma exposição com carácter de instalação/encenação, em que os visitantes acabam por ser também actores da performance, usando lanternas para explorar o interior da casa, ocupada de forma insólita pelos animais. A não perder!

Observações astronómicas 20h – 23h
Observação de Vénus, Saturno, estrelas duplas e enxames através de recurso a telescópio.

As actividades previstas não se limitam às aqui apresentadas. O programa completo encontra-se disponível para consulta em nei2013.eu e os últimos preparativos podem ser acompanhados na página do Facebook da Noite Europeia dos Investigadores 2013.  "
 
 
EU VOU! 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Noite Europeia dos INVESTIGADORES

Porto

Desde a primeira edição da Noite Europeia dos Investigadores que a cidade do Porto organiza actividades com o intuito de levar a Ciência ao público em geral.
Ao contrário de anos anteriores, em que as actividades decorriam no Planetário do Porto e na Praça de Gomes Teixeira, em frente à Reitoria da Universidade, em 2013 a NEI no Porto vai desenrolar-se no Jardim Botânico.
Em consonância com a temática que pauta esta edição, as actividades focar-se-ão nas alterações expectáveis para 2020 e no modo como viveremos essa nova realidade. Como habitualmente, as actividades serão dinamizadas pelo CAUP e pela Universidade do Porto.
O programa completo será disponibilizado em breve. Esteja atento!

aqui:
http://nei2013.eu/locais/porto/

domingo, 15 de setembro de 2013

Investigação: as plantas também comunicam entre si

foto: mclameiras

Publicado em 03 de Agosto de 2013.
(GREENSAVERS)
 
"Um novo estudo conduzido por David Johnson, da Universidade de Aberdeen, na Escócia, descobriu que as plantas comunicam umas com as outras através do solo. A pesquisa mostra que as plantas, quando infetadas por certas doenças, alertam as outras nas proximidades para que ativem os genes de defesa. A peça-chave da comunicação é um fungo do solo que atua como mensageiro.
O fungo do solo e determinadas plantas criaram uma relação de simbiose – as plantas fornecem alimento e o fungo fornece minerais. Mas descobriu-se agora que a relação não fica por aqui – o fungo também cria hifas fúngicas, estabelecendo uma rede no solo que liga as várias plantas e desempenha o papel de mensageiro entre elas.
Em 2010, uma equipa de investigadores chineses descobriu que a planta de tomate, quando infetada por uma praga nas folhas, é capaz de alertar os outros tomateiros próximos do perigo."
ler mais aqui

domingo, 21 de abril de 2013

Portugueses revelam à escala atómica um canal de potássio das células

Trabalho desvenda a estrutura de uma minúscula passagem na membrana das células. É uma nanomáquina que se abre e fecha consoante a salinidade no exterior. Um dia pode ajudar as plantas a resistir ao sal a mais.


Ver animação de IBMC-INEB) Fonte: http://www.publico.pt/ciencias/jornal/portugueses-revelam-a-escala-atomica-um-canal-de-potassio-das-celulas-26411218   Artigo relacionado no CienciaHoje 
"Uma equipa do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), liderada por João Morais Cabral, expõe a forma como funciona o transportador KtrAB* da bactéria Bacillus subtilis. Explicar o funcionamento destas nanoestruturas revela-se de suma importância para compreender as estratégias dos organismos relativamente à sua resistência à salinidade e à seca. O modelo da estrutura de transportadores de potássio é publicado hoje na revista Nature."

Mais potássio dentro das células


Recorde-se que existe sempre mais potássio dentro das células do que fora, e que o contrário acontece com o sódio. A separação destes dois iões, dos mais comuns na Natureza, é essencial para a sobrevivência da célula e por consequência dos organismos. Para criar e manter esta diferença, as células têm proteínas nas membranas que as delimitam, que por sua vez, funcionam como bombas ou canais e movimentam os iões através da membrana.
A primeira bomba de potássio foi descrita em 1957 e valeu o Nobel da química de 1997 a Jens Christian Skou.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Mecanismos que regulam a coesão entre os dois cromatídeos irmãos durante a divisão celular


Investigadora portuguesa contribui para a identificação de “porta de saída” para o DNA
O trabalho ajuda a compreender certas doenças genéticas, cancro e infertilidade

CienciaHoje
2013-03-11

Por Sara Pelicano

"O objectivo do estudo, publicado no jornal EMBO de Janeiro, foi identificar os processos que permitem que uma estrutura essencial à divisão celular, chamada complexo coesina, se ligue e se liberte do DNA.


“Os conhecimentos adquiridos poderão servir para perceber melhor quais os mecanismos que levam à perda precoce da coesão entre as duas cópias de DNA idênticas (cromatídeos irmãos), o que pode originar erros graves durante a divisão celular”, explica Raquel Oliveira, uma das investigadoras deste estudo, realizado no âmbito do seu pós-doutoramento no laboratório do Professor Kim Nasmyth, no departamento de Bioquímica da Universidade de Oxford.

As células ao longo da sua vida dividem-se. Quando esta divisão acontece “entram em acção mecanismos que asseguram que a mesma informação genética passa para as duas células-filhas”.

Para que a passagem de informação aconteça no momento e da forma correctas “os dois cromatídeos irmãos mantêm-se unidos por um conjunto de três proteínas que formam uma estrutura em forma de anel, denominada coesina. Um grande número destes anéis envolve as duas moléculas de DNA idênticas mantendo-as assim aprisionadas até que ocorra a divisão celular seguinte”, adianta a investigadora, actualmente investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC)."
....

"Quando dois cromatídeos irmãos são separados antes do tempo devido a falhas na coesão “eles vão ser posteriormente separados de forma aleatória, originando células filhas com um número errado de cromossomas”.

Há assim condições para o nascimento de células com “anomalias no número de cromossomas” que estão associadas a várias doenças humanas como certas doenças genéticas, cancro e infertilidade."

“Pensa-se que uma das causas da diminuição da fertilidade feminina a partir dos 35 anos de idade, assim como o aumento da probabilidade de anomalias genéticas como o Síndrome de Down (trissomia 21), poderá estar relacionado com uma chamada ‘fadiga na coesão’ entre as moléculas de DNA, uma vez que nos ovócitos (óvulos imaturos) a coesão entre os cromatídeos irmãos tem que ser mantida durante várias décadas”, afirma a entrevistada.
...continua aqui


Notícias relacionadas:




Patologia da coesina
"O complexo de proteínas chamado coesina organiza parte da duplicação do DNA e, portanto, é fundamental na instabilidade genética que origina alguns tipos de câncer....



Existem doenças genéticas conhecidas como patologias da coesina como, por exemplo, a denominada Cornelia de Lange, patologias genéticas raras que fazem com que crianças nasçam com problemas de desenvolvimento físico e mental. “Estas doenças estão associadas a mutações na maquinaria da coesina ou na maquinaria que a ativa, mas não afetam a função original da coesina, e sim outras funções que não havíamos identificado. Esta que descobrimos agora pode ser uma delas”, declara o especialista. http://www.dicyt.com/noticia/apresentada-em-salamanca-uma-importante-descoberta-sobre-o-genoma-humano





 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Novos compostos podem inibir o crescimento dos tumores

Foto



"Projecto da Uminho, FMUP e IPB melhora o combate às metástases"

2013-01-29
CienciaHoje


Um projecto multidisciplinar que engloba três instituições de I&D (Investigação e desenvolvimento) está a desenvolver novos compostos para ensaios clínicos e posterior aplicação como fármacos antitumorais e/ou antiangiogénicos.

A investigação é coordenada por Maria João Queiroz na área da química orgânica, da Universidade do Minho (UMinho) e articulado com contributos da química computacional do Instituto Politécnico de Bragança e da biologia celular e molecular da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

A angiogénese tumoral é o processo de vascularização que permite o fornecimento de oxigénio e nutrientes às células tumorais. A proposta deste projecto aponta para a síntese de novos compostos que inibam a angiogénese e a progressão dos tumores. Maria João Queiroz frisa que a investigação “centra-se na inibição de receptores membranares de factores de crescimento celular, de tirosina cinase, envolvidos no crescimento e diferenciação tanto de células tumorais como de células endoteliais”.

continua aqui

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Parasita Schistosome haematobium associado a cancro da bexiga

Portugueses descobrem mecanismo que leva a cancro da bexiga por infecção parasitária


Estudo permite detectar precocemente doença

2013-01-17
CienciaHoje
 
http://biologiaconcursos.blogspot.pt/2010/05/esquistossomose.html#!/2010/05/esquistossomose.html
Parasita S. haematobium associado a cancro da bexiga
 
Uma equipa do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no Porto, descobriu o mecanismo que explica a razão que leva a Schistosomose (esquistossomose) ou bilharzíase – uma das mais graves infecções parasitárias do mundo – a causar o cancro da bexiga.
A Schistosomose (Platelminta) infecta 200 milhões de pessoas em 75 países e mata meio milhão por ano, provocando doenças urogenitais severas e cancro da bexiga, mas as razões que levavam a desencadear estes problemas ainda não eram claras. O cancro da bexiga é a doença tumoral mais comum nos países onde o parasita Schistosoma haematobium é endémico. ler mais

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Investigação evolui muito, mas investimento ainda é baixo

Dia Nacional da Cultura Científica assinalado amanhã



2011-11-23
CienciaHoje


"Despesas em investigação é inferior à média da UE."

A investigação científica nacional evoluiu, nos últimos anos, e melhorou a vida dos portugueses, mas o investimento que recebe ainda está abaixo da média da União Europeia e é necessário continuar o trabalho, segundo defendeu hoje a directora da Pordata."
Os novos conhecimentos na área da saúde ou os avanços tecnológicos que permitiram o aumento do número de consumidores com acesso à internet, que quadruplicou, ou com serviço móvel, nas telecomunicações, são resultado do trabalho da investigação.
continua

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Portugueses procuram prevenir doenças genéticas e cancro

Estudo contribui para o desenvolvimento de novas terapias
CienciaHoje
2011-10-21
Por Susana Lage

Uma recente investigação portuguesa, publicada na revista científica Nucleic Acids Research, tem por objectivo “estudar a base molecular de algumas doenças genéticas e cancro com o objectivo de produzir conhecimento que ajude no desenvolvimento de terapias inovadoras”, explica Luísa Romão ao Ciência Hoje.
Segundo a investigadora, nas células humanas, o processo de expressão dos genes envolve múltiplos passos, desde o aparecimento do RNA mensageiro (mRNA) por transcrição a partir de um gene, à sua tradução em proteínas e à sua degradação.
Assim, a equipa que lidera pretende “estudar de que modo determinadas mutações – as mutações nonsense – associadas a diferentes doenças genéticas e ao cancro podem afectar a vida do mRNA”.
A ideia para este trabalho desenvolvido no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, em Lisboa, surgiu do facto de se saber que, em geral, “as mutações nonsense dão origem a níveis anormalmente baixos de RNA mensageiro nas células dos doentes com uma hemoglobinopatia”, muito frequente na região mediterrânica, incluindo o Sul de Portugal, afirma a especialista em Genética Humana e Biologia Molecular.

O estudo pode “contribuir para o conhecimento da causa molecular de doenças genéticas e cancro bem como dos respectivos mecanismos”, afirma Luísa Romão. “Estes conhecimentos podem servir de base para o desenvolvimento mais racional de terapias inovadoras”, acrescenta.
Os próximos passos na investigação passam por identificar proteínas e o seu modo de actuação em diferentes aspectos do processo da síntese proteica, nomeadamente na iniciação da tradução do mRNA, assim como proteínas envolvidas no controlo de qualidade da expressão génica.
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=51531&op=all

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Maria Mota ( Maria Manuel...) e a Malária!

Notícias

2010-11-10

A malária é uma doença cujo combate continua a desafiar investigadores por todo o mundo. De forma a incentivar o estudo desta doença mortífera, a Fundação Bill & Melinda Gates, no âmbito do programa Grand Challenges Exploration, vai financiar dois projectos portugueses que almejam combatê-la através de diferentes meios e abordagens inovado.

No Instituto de Medicina Molecular (IMM), Miguel Prudêncio, Maria Mota e a sua equipa propõem desenvolver uma vacina contra a malária, enquanto Miguel Soares (Prémio Seeds of Science - Ciências da Saúde - 2011), do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), e Henrique Silveira, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), pretendem abordar esta doença por outra vertente, recorrendo a anticorpos contra a flora intestinal, produzidos naturalmente no corpo.

Ambos os projectos foram distinguidos por apresentarem “formas audaciosas e não-ortodoxas para a resolução de problemas de saúde pública em países em vias de desenvolvimento”, pelo que vão receber 100 mil dólares por um período de seis a 18 meses, extensível a um milhão de dólares, caso os projectos demonstrem sucesso nesta fase inicial.


Vacina inovadora e segura
A vacina a desenvolver por Miguel Prudêncio recorre a um parasita que infecta apenas roedores e não causa qualquer doença em humanos. No entanto, este organismo pode ser modificado geneticamente de forma a activar o sistema imunitário humano e a ensiná-lo a combater o parasita da malária que infecta humanos, quando o encontrar.

O aspecto mais inovador neste projecto é o recurso a uma estirpe de parasita da malária que não é capaz de induzir doença em humanos, chamada Plasmodium berghei. Até agora, as abordagens para desenvolvimento de uma vacina contra esta doença – que ainda não existe – têm-se voltado para a modificação do Plasmodium falciparum, a estirpe que causa malária em humanos.

O parasita pode ser modificado geneticamente de forma a activar o sistema imunitário humano e a ensiná-lo a combater o parasita da malária, que irá infectar os seres humanos quando os encontrar.

Recorde-se que, até agora, o projecto mais avançado da vacina – com ensaios em seres humanos – está a ser desenvolvido pela multinacional farmacêutica Glaxo Smith Kline. Ainda assim, esta só consegue entre 30 a 40% de protecção.
A equipa do IMM, liderada por Maria Mota e Miguel Prudêncio, tem agora um ano e meio para provar que as suas ideias são viáveis e o desenvolvimento da vacina uma realidade.
A malária atinge mais de 250 milhões de pessoas por ano e mata dois milhões, sendo metade destas crianças com menos cinco anos de idade. Cerca de 90% destas mortes, por outro lado, ocorrem na África subsariana.

 A vacina a desenvolver por Miguel Prudêncio apresenta uma abordagem nunca experimentada
Tem-se tentado, por exemplo, atenuar os efeitos do Plasmodium falciparum, através de radiação ou de modificação genética. Contudo, estas abordagens carregam em si um grande risco de desenvolvimento de malária em humanos, dado que poderá haver parasitas que escapem aos processos de atenuação em que as vacinas se baseiam.

No projecto agora distinguido pela Fundação Bill & Melinda Gates, os riscos de segurança associados são praticamente inexistentes, dado que o parasita que causa malária em roedores é incapaz de o fazer em humanos.
Ao longo dos próximos 18 meses, a equipa de investigação procurará demonstrar que o parasita de roedores, geneticamente modificado, preenche os requisitos necessários para despoletar a resposta imune esperada e, simultaneamente, confirmar a premissa de segurança da estratégia delineada.

Após esta fase de desenvolvimento do projecto a equipa pretende testar esta vacina em humanos. Esta segunda etapa do projecto prevê a realização de ensaios clínicos em voluntários e ensaios controlados em áreas geográficas onde a malária é endémica. Caso os resultados do projecto que agora se inicia sejam promissores, a segunda fase poderá vir a ser também financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates.
“Estamos muito optimistas de que conseguiremos validar as premissas de segurança e eficácia da nossa abordagem. Esperamos que abra caminho para um novo tipo de vacina e que contribua para a tão esperada erradicação da malária”, afirma Miguel Prudêncio.

Anticorpos contra a flora intestinal

A abordagem de Miguel Soares recorre aos anticorpos contra a flora intestinal, produzidos naturalmente no corpo.
Ao longo do tempo, os humanos produzem uma grande variedade de anticorpos, incluindo alguns contra um açúcar produzido pelas bactérias da flora intestinal. O parasita Plasmodium também produz o mesmo açúcar, o que sugere que esses anticorpos poderão ser utilizados para neutralizar o parasita logo que entre na corrente sanguínea. Desta forma, a infecção seria bloqueada imediatamente após a picada do mosquito.
Investigação de Miguel Soares poderá resultar em terapias mais acessíveis.
Os investigadores estão convencidos de que a maior incidência de malária grave que se regista em crianças com menos de cinco anos poderá ser devido aos baixos níveis daqueles anticorpos após o nascimento e durante os primeiros anos de vida, pois serão necessários três a cinco anos para que os anticorpos se acumulem no sangue.
Uma vez presentes em concentrações estáveis - o que acontece aos três a cinco anos de vida - os humanos tornam-se menos susceptíveis à infecção por Plasmodium e, consequentemente, às formas graves de malária.
Para testar esta hipótese, Miguel Soares e Henrique Silveira irão recorrer a ratinhos geneticamente modificados para produzir o anticorpo humano contra a flora intestinal. Estes serão postos em contacto com mosquitos capazes de introduzir o parasita Plasmodium na sua corrente sanguínea.
Os investigadores esperam assim que os ratinhos geneticamente modificados sejam resistentes à infecção, ao contrário dos restantes. Se esta hipótese se verificar, abrirá caminho ao desenvolvimento de uma nova abordagem terapêutica: através do aumento dos níveis de anticorpo no sangue, reduzir-se-á a capacidade do mosquito de infectar crianças.

 Recordando o percurso da investigadora:


Maria Mota lidera investigação financiada pelo Howard Hughes Medical Institute

2005-05-23
O Howard Hughes Medical Institute acaba de aprovar para financiamento a candidatura apresentada pela investigadora do Instituto de Medicina Molecular (IMM), Maria Manuel Mota, presidente da associação Viver a Ciência, ao Programa Internacional de Financiamento de Investigadores (International Research Scholars Program).
O programa atribui financiamento a instituições de investigação fora dos EUA, por um período de 5 anos, através de investigadores de reconhecido mérito no domínio das Ciências Biomédicas, que tenham vindo a contribuir de forma significativa para a compreensão dos processos e mecanismos biológicos da doença, nomeadamente em áreas como a da parasitologia e doenças infecciosas.

A Malária é uma doença causada por um protozoário do género Plasmodium e mata cerca de 1.5 a 2.7 milhões de crianças todos os anos. O trabalho agora financiado visa a compreensão dos mecanismos moleculares da doença, os quais afectam o rumo da infecção e a patologia a ela associada. Os principais interesses do grupo de investigação dirigido pela Dra. Maria Mota, focalizam-se nas interacções que ocorrem entre o parasita da malária e o seu hospedeiro vertebrad
Sendo a infecção hepática obrigatoriamente o primeiro passo na evolução da doença, o estudo das interacções entre plasmodium e hepatócito durante a fase hepática da infecção é de crucial importância para a definição de estratégias de intervenção. Assim a equipa propõe-se caracterizar a resposta do hepatócito à presença do parasita da malária e ao seu desenvolvimento dentro da célula e as alterações sofridas no hepatócito a nível de vias de sinalização envolvidas na morte da célula hospedeira e determinar quais as moléculas de Plasmodium responsáveis por essas alterações.

Maria Manuel Mota tinha recebido em 2004 em Estocolmo, o prémio da Fundação Europeia da Ciência, no valor de mais de um milhão de euros, na sequência de um trabalho coordenado por si sobre a malária.


Maria Mota, do Instituto de Medicina Molecular, liderou o estudo
Investigadores portugueses revelam avanços no tratamento da malária cerebral *

2007-05-13

Investigadores portugueses publicam esta semana um estudo na revista Nature Medicine no qual mostram que, em modelos laboratoriais, a malária cerebral – que provoca mais de um milhão de mortes anualmente em todo o mundo - pode ser tratada por inalação de baixa concentração de monóxido de carbono, abrindo caminho a novas abordagens terapêuticas em humanos.
*Ver também o artigo de Catarina Amorim «Scientists have discovered a possible way to fight cerebral malaria»

Este estudo é liderado por Maria M. Mota, do Instituto de Medicina Molecular, e por Miguel P. Soares no Instituto Gulbenkian de Ciência, envolvendo posteriormente o laboratório de József Balla da Universidade de Debrecen na Hungria.
Os investigadores conjugaram competências para demonstrar que a malária induz a expressão de uma enzima chamada heme oxigenase-1 no hospedeiro infectado. A HO-1 é uma enzima que degrada o heme, uma molécula existente na hemoglobina nos glóbulos vermelhos, que contém ferro e que participa no transporte do oxigénio para os tecidos.
A degradação de heme pela HO-1 origina, entre outras substâncias, o gás monóxido de carbono, que não é tóxico quando produzido nestas condições. Recorrendo a ratinhos geneticamente modificados, os investigadores verificaram que os ratinhos que não têm HO- 1, quando infectados pelo parasita da malária (Plasmodium), morrem de malária cerebral, enquanto aqueles que expressam a enzima sobrevivem.
Ana Pamplona, primeira autora deste trabalho, revela: “ Esta é uma forte evidência de que a HO-1 e o seu produto monóxido de carbono poderão estar envolvidos no controlo da malária cerebral por parte do hospedeiro. Nós estamos interessados neste mecanismo de controlo. Através de uma série de experiências, conseguimos mostrar que a HO-1 e o monóxido de carbono, usado a baixas concentrações, previnem a progressão da malária cerebral em ratinhos. Este efeito baseia-se na capacidade do monóxido de carbono impedir a libertação do heme dos glóbulos vermelhos.”
Os resultados sugerem ainda que a inalação de monóxido de carbono poderá vir a ser usada como terapia contra a malária em humanos.

Nomeadas Prémio Mulher Activa 2008

Maria Manuel Mota (Investigadora principal do Instituto de Medicina Molecular)

ACTIVA

16 Fev. 2010


Natural do Porto, Maria Mota, 38 anos, dedica-se à investigação na área da malária, uma doença que continua a matar cerca de três milhões de pessoas por ano. Além disso, a cientista é também presidente da Associação Viver a Ciência, uma associação não lucrativa que tem como objectivo divulgar a Ciência junto do público em geral e encontrar fundos privados para financiar os novos investigadores.
O seu percurso iniciou-se com o curso de Biologia na Universidade do Porto. Decidida pela investigação, Maria Mota prosseguiu a carreira com o mestrado e o doutoramento no National Institute For Medical Research, já na área da malária. Mas Maria Mota não se ficou por aqui. Depois do doutoramento, atravessou o oceano rumo à Universidade de Nova Iorque, onde ficou três anos para fazer um pós-doutoramento."E aí fiz a descoberta principal de toda a minha carreira científica: anos antes, alguém registara em filme, num microscópio, o parasita da malária a entrar e a sair dentro de células, até escolher uma para se instalar." Na época pensou-se que o filme era falso. Maria Mota soube dessas gravações e trabalhou sobre elas, acabando por descobrir que o parasita da malária, quando chega ao nosso organismo, não entra na primeira célula que encontra, antes atravessa várias até se instalar numa. "Até hoje, as causas ainda são controversas, mas criou-se um novo campo de trabalho."
A descoberta valeu-lhe vários prémios, entre os quais a Ordem do Infante. Mas, três anos depois, o desejo do marido de regressar a Portugal falou mais alto. Hoje, Maria desenvolve o seu trabalho no Instituto de Medicina Molecular, da Universidade de Medicina de Lisboa. O objectivo final? "Testar drogas que já estão no mercado para ‘travar' a malária."

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O guerreiro que controla tumores

Gene 'Viriato' descoberto por equipa do IBMC

2011-01-14
CienciaHoje
Por Marlene Moura

Equipa IBMC: Paulo Pereira, Torcato Martins,

Joana Marinho, Marta Neto.
 Investigadores portugueses do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), da Universidade do Porto, descobriram um gene, que baptizaram de "Viriato", que controla a proliferação de células e o desenvolvimento de tumores. O trabalho da equipa de cientistas do IBMC será publicado amanhã na revista científica de referência mundial «Development».





Segundo os autores, a ausência de Viriato causa problemas no crescimento dos tecidos e no desenvolvimento do organismo. Segundo Paulo Pereira, coordenador do projecto, disse ao jornal «Ciência Hoje», o estudo foi baseado nas funções do gene na mosca da fruta (Drosophila)e verificou-se que “a falta dele provoca problemas no crescimento e proliferação celular, mas, por outro lado, está envolvido no crescimento celular demasiado activado induzido pelo oncogene MYC”.

A expressão anormal do oncogene MYC estimula o crescimento nuclear e celular (à esquerda). Sem viriato, MYC não é eficiente na estimulação de crescimento nuclear e celular (à direita).
 continua

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

LABORATÓRIO ABERTO (IPATIMUP)

O QUE É O LABORATÓRIO ABERTO?


O Laboratório Aberto é uma iniciativa do IPATIMUP, apoiada pelo Ciência Viva e com a colaboração da Câmara Municipal do Porto. O Laboratório Aberto é um espaço que tem como objectivo principal o ensino experimental das Ciências. O “saber fazer-saber” é o convite que é feito aos visitantes. Neste espaço, cada um poderá, com a ajuda dos monitores, descobrir novas formas de pensar e encontrar respostas para as suas dúvidas científicas.


A QUEM SE DESTINA?

O Laboratório Aberto é um espaço livre e acessível a toda a comunidade. Desde turmas até grupos de amigos e famílias, o convite é endossado a todos os que procuram descobrir uma actividade diferente.



ACTIVIDADES PARA O ENSINO SECUNDÁRIO


+ Código da Vida: O Criminoso

+ O Rastreio dos Transgénicos

+ Bactérias Fluorescentes



ACTIVIDADES PARA O 3º CICLO

+ Código da Vida: ADN a Olho Nu

+ Da Superfície ao Interior da Terra

+ Num Mundo a Cores

+ Dar Roda aos Alimentos

+ A Temperatura de Galileu

+ Sob Pressão



ACTIVIDADES PARA O 1º e 2º CICLOS

+ Da Superfície ao Interior da Terra

+ Transformar Para Criar

+ Tão Pequeno



ACTIVIDADES EXTRA

+ CANCER MOBILE - O Laboratório Aberto, em colaboração com os investigadores do IPATIMUP e médicos associados, vai disponibilizar novamente as sessões CancerMobile. Estas sessões vão dar resposta a questões relacionadas com o cancro e a sua prevenção, proporcionando aos alunos uma experiência pedagógica inovadora, onde se destacam um conjunto de materiais didácticos com forte componente multimédia, uma abordagem prática com actividades hands-on minds-on e um contacto directo com investigadores e especialistas da área. Os conteúdos das sessões CancerMobile foram desenvolvidos por uma equipa de especialistas de forma a optimizar o seu enquadramento no currículo de Ciências Naturais e de Biologia e também em projectos de Educação para a Saúde.

http://www.laboratorioaberto.pt/actividades.php

Investigação no IPATIMUP

 
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Maria do Carmo Fonseca vence Prémio Pessoa 2010

2010-12-17
CienciaHoje

Maria do Carmo Fonseca, de 51 anos, directora executiva do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Universidade de Lisboa, venceu hoje o Prémio Pessoa 2010. É a primeira mulher cientista a ganhar, isoladamente, o galardão. Até hoje foram distinguidos os seguintes investigadores: António Damásio e Hanna Damásio, João Lobo Antunes e Manuel Sobrinho Simões.



Segundo Francisco Pinto Balsemão, presidente do júri, disse hoje em conferência de imprensa no Palácio de Seteais (Sintra), a atribuição advém da “hierarquia de uma excelência que se tem afirmado cada vez mais, nos últimos anos”. E continuou: “O júri quis sublinhar a importância da ciência no desenvolvimento do país e a sua confiança no futuro da investigação básica em Portugal”.

O presidente do júri justificou a atribuição do prémio à directora executiva do IMM pela "cultura de rigor" na prática científica que este instituto promove e que tem sido "determinante na atracção de uma plêiade de jovens investigadores, muitos dos quais doutorados fora do país".

A especialista em genética molecular recebeu hoje com "muito orgulho e grande satisfação" a notícia, e considerou que "não poderia ter havido melhor altura para passar uma mensagem e voto de confiança na ciência” que se faz por cá. "Sou uma, entre muitos cientistas portugueses, que fez a sua formação no estrangeiro e optou por regressar para fazer investigação em Portugal" e, também porque "tomei esta decisão, estou a ajudar a construir um instituto para atrair jovens investigadores que estejam no estrangeiro para virem fazer a sua ciência no nosso país”, acrescentou.

A directora do Instituto de Medicina Molecular, Maria do Carmo Fonseca, é a vencedora da edição 2010 do galardão. Dinheiro vai ser todo investido em investigação.

Aprovação consensual

O investigador Alexandre Quintanilha escreveu em comunicado que “é altamente merecida" a distinção a esta cientista cujo trabalho “tem contribuído fortemente para o desenvolvimento da área das ciências da vida e da saúde em Portugal" e que "continua a ter impacto no domínio da biologia molecular e celular".

Por seu lado, Raquel Seruca, vice-presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), aplaudiu a atribuição do Prémio Pessoa 2010 e refere-se a Maria do Carmo Fonseca como uma “cientista de topo” que “tem feito a diferença na criação de um instituto ligado à ciência básica e de translação em Portugal e tem contribuído para levar Portugal a vários comités internacionais da maior categoria científica”.
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A investigação de Maria do Carmo Fonseca centra-se “na melhor compreensão de doenças causadas por erros da natureza", através do processo de descodificação das células humanas
 

CienciaHoje (2005-04-24)
O Programa EuroDYNA reúne cientistas de várias áreas – biólogos, bioquímicos, matemáticos, físicos -, em projectos de investigação transdisciplinares. Como resultado do primeiro concurso de projectos, foram seleccionadas apenas 9 de entre as 57 propostas apresentadas a concurso, entre as quais a proposta coordenada pela Profª Maria do Carmo Fonseca. Os coordenadores do 9 projectos agora financiado fazem parte do Conselho Científico do Programa EuroDYNA, que tem, entre outras, a importante missão de definir uma política de funcionamento em rede dos vários projectos.


 O programa de investigação EuroDyna surge como resultado da recente elucidação da estrutura do genoma de vários organismos, incluindo o genoma humano. Uma vez identificada a estrutura de um genoma, é necessário compreender a sua função, ou seja, compreender de que forma o genoma codifica a expressão dos milhares de genes que o compõem.
Os princípios e os mecanismos de controlo da expressão genética são vitais para o entendimento de inúmeras doenças e para o desenvolvimento de processos de engenharia genética, como, por ex., processos utilizados em terapia genética ou em engenharia de células estaminais.
A compreensão dos mecanismos de funcionamento dos genes é essencial para o desenvolvimento de novas tecnologias genéticas com aplicações terapêuticas.
 O grupo de investigação coordenado pela Profª Maria do Carmo Fonseca dedica-se particularmente a desvendar o processo de descodificação da informação genética nas células humanas. Este grupo de investigadores está interessado em estudar os sistemas de controlo de qualidade que operam nas células e o modo como falhas nestes sistemas provocam doenças.

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Maria do Carmo Fonseca - Uma vida na Ciência
 Foi a primeira mulher a receber o prestigiado Prémio DuPont de Ciência. O trabalho que coordena na Faculdade de Medicina de Lisboa já deixou marcas na comunidade científica internacional



O Prémio DuPont, instituído em 1991 por Severo Ochoa, foi criado precisamente com o objectivo de incentivar e valorizar trabalhos que contribuam para o avanço da ciência.
Em 2002, foi a primeira vez que o prestigiado galardão permitiu a candidatura de portugueses. Venceu uma cientista nacional. Por unanimidade. Como explica de forma apaixonada, é à Genética Molecular que tem dedicado os últimos anos da sua carreira de investigadora. "Os genes contêm a informação que determina a célula. Decidi estudar o seu surgimento para perceber de que modo é que dá origem a células com funções diferentes. Se soubermos como funciona o gene, percebemos a raiz da doença."


Ou seja, uma vez decifrado o seu modo de funcionamento, poderá perceber-se como corrigir o que está errado e encontrar tratamentos, já que "a maior parte das doenças, como o cancro, são causadas por alguma malformação genética".

E com a mesma naturalidade revela que os 30 mil euros (seis mil contos) do seu prémio serão para melhorar o laboratório a que tem dedicado os últimos 10 anos da sua carreira. "Vou doar o dinheiro para o que mais gosto de fazer. Isto é estatal, mas também é meu. Além disso, o prémio só foi possível graças ao trabalho de toda a equipa", justifica.


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